sábado, 30 de setembro de 2017

DELTA CRUCIS

Delta Crucis: A Nova e Brilhante Estrela no Universo do Rock Brasuca




Danilo Martire: Vocal & Bass



Aureo Alessandri: Guitar & Back Vocal



Edu Gonzales: Drum & Percussion



Walter Possibom: Guitar & Back Vocal


Delta Crucis: 39 Live At Cosanostra Studio



Delta Crucis: Ela Veio do Texas Live At Cosanostra Studio



Delta Crucis: O Anjo dos Olhos Azuis Live At Cosanostra Studio





O ROCK EM HOMENAGEM AOS DEUSES E A UMA GRANDE CIDADE

sábado, 31 de dezembro de 2016

Happy New Year Rockers

FELIZ 2017


Entre os sonhos mais loucos que tivemos neste ano que se despede, surge a imagem gloriosa de Jimi Hendrix entre tantos Mitos e Heróis da Humanidade, numa posição de reflexão e expectativa.
Vista de cima, a terra parece azul !
Para quem se entregou, com o risco da própria vida, ao cultivo da paz e da fraternidade, na certeza de que a justiça social e a firmeza de propósitos seriam a medida certa para uma melhoria do padrão existencial, parece que os prognósticos não são dos mais positivos: descrença, desânimo, entre a hipocrisia e o egoísmo, o radicalismo e a miséria !
Todos esses ingredientes detonados por uma colossal bomba colocada sobre o dorso de um deslumbrante cavalo alado que com seu porte angustia e alivia ao mesmo tempo aos homens !
Mas sempre há quem tem a força suficiente para acreditar num futuro melhor; repleto de amor, de compreensão e de caridade!
Com muita Luz e muito Som, desses que se espalham pelos becos das grandes cidades do mundo vestidos de jeans, com os cabelos grandes, sentindo a pulsação do Planeta através dos seus elementos naturais, procurando preservá-los. E neste momento, sobre este signo de esperança, formado por uma Corrente Universal de Jovens, o semblante de Jimi se descontrai e ele sorri; um riso franco, paternal e a todos abraça, com suas asas, que são duas guitarras que vomitam o Fogo Eterno dos Justos!

LONGA VIDA A JIMI HENDRIX!
LONGA VIDA AO ROCK AND ROLL

O Planet Caravan deseja a todos os que curtem Rock que tenham um ótimo 2017 com muita saúde, paz, harmonia, amor e prosperidade, e, claro, MUITO ROCK AND ROLL.

Johnny Jackknife


AC DC : For Those About To Rock



ALICE COOPER : Elected



JIMI HENDRIX : Machine Gun Live Filmore East


EMERSON LAKE & PALMER : C'est La Vie


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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Special Edition - 57. A Minha Moda

A MINHA MODA


Muitos me perguntam por que eu não uso as Roupas da Moda.
Muitos me perguntam por que eu não uso os Cortes de Cabelo da Moda.
Muitos me perguntam por que eu não uso o Sapato da Moda.
Muitos me perguntam por que eu não ouço a Música da Moda.
Muitos me perguntam por que eu não uso a Gíria da moda.

E eu respondo que eu uso tudo isso sim...

... mas não a Roupa da Moda que um estilista idolatrado pela mídia consumista, num repente esquizóide e por necessidade de maiores ganhos da indústria de roupas para manter sua fortuna sempre em alta, define com sendo a roupa certa para aquela temporada, a qual tem um início e um fim.

... mas não o Corte de Cabelo que um cabeleireiro, num dia de loucura onde decide que será famoso, e que resolve executar cortes aleatórios e malucos, ajeitando os cabelos de forma bizarras dizendo que aquilo era uma experimentação, definindo que esse cabelo seria determinante para a construção do cabelo ideal para aquela temporada, que também teria um período com um início e um fim.

... mas não o Sapato da Moda que foi resultado de uma noite de bebedeiras e que após isso um designer fez um desenho alucinado e determinou, a partir de então, que naquela temporada ele seria o definidor do bom gosto, e que se você não o utilizasse você estaria “fora da moda”, mas ele também teria um início e um fim.

... mas não a Música da Moda, a qual foi construída por um músico muitas vezes brilhante mas que ganhou uma boa soma de dinheiro para construir um ritmo e uma melodia fútil simples e fácil de degustar que iria determinar o modelo musical daquela época, definindo o padrão de consumo, e que serviria durante um período de tempo, portanto, também teria um início e um fim.

... mas não a Gíria da moda, a gíria criada por pessoas pseudo-intelectuais ou semi-alfabetizadas que, por inabilidade de se expressar dentro dos padrões lingüísticos corretos e também por uma pressa inexplicável em falar o mais rápido possível, criam palavras e jargões que destroem a língua pátria e que obriga a quem queira se comunicar com eles que aprenda essa “nova língua”, mas que também sofre com a ação do tempo por sua futilidade e duram um curto espaço de tempo, dando lugar a outras tão chulas como essas.

Eu uso a moda ditada por uma cultura que vem de longa data, que foi criada como um grito de lamento pelo cerceamento da liberdade e que com ela visava a sua libertação, a minha moda visa o crescimento e a liberdade do ser humano e, com isso, se presta a um maior inter-relacionamento entre todos os povos, o que irá culminar com a união de todos os seres vivos em uma única aldeia global, baseada em critérios morais, éticos e recheado com muito amor e respeito.

Eu uso calças de jeans, pois ela é muito mais que apenas uma vestimenta, ela representa a época de luta de jovens em torno de um ideal revolucionário que sonhava com a liberdade total e a igualdade entre todos, alguns dos quais morreram por isso quando lutavam por esses ideais de libertação.


Eu uso os cabelos longos e soltos aos ventos, para que simbolize a integração do ser humano à natureza que lhe cerca, trazendo mais harmonia e mais paz interior a todos nós, o que nos diz da humildade que precisamos ter em relação à natureza, pois ela já estava aqui quando nós viemos, e de quanto os seus rios são importantes para nós, do quanto que as arvores são essenciais para a vida, e de como o ar nos entrelaça numa grande massa única e interligada.

Eu uso tênis, pois ele me deixa mais perto do solo sagrado onde os nossos ancestrais estiveram, e por que também ele me mantém mais próximo de nossa Mãe Terra, de onde tiro parte de minha energia para continuar essa nossa luta.

Eu ouço Rock And Roll, pois o Rock é muito mais que música, ele é a soma de todas as artes que, juntas, conceituam todos os parâmetros para essa busca que fazemos em nosso dia-a-dia pela nossa elevação moral e espiritual e que um dia culminará com a união de todos.


A minha gíria é a gíria do amor, da felicidade, da busca pela elevação espiritual, ela representa a forma de transmitir o carinho e o amor entre todos nós, ela é respeitosa ela é suave e serena.

A minha moda é usada apenas como uma forma de expressão desta minha cultura, e não como uma simples manifestação de colocação ou conjunção social, ou de auto-afirmação perante a sociedade onde quero dizer que estou ou sou “atual”, mas que irá durar um curto espaço de tempo para em seguida dar lugar a outra completamente diferente, e claro, vazia de conceitos, pelo menos os morais.

A minha moda não distingue as pessoas, não seleciona quem tem dinheiro de quem não tem, não expõe mazelas, não precisa e nunca precisou de passarelas para ser anunciada, ela não é capa de revistas, mas ela é veiculada silenciosamente pelas ruas através de seus representantes: os Rockeiros.


A minha moda nunca discrimina quem quer que seja por isso ela usa a caveira como um de seus maiores símbolos, pois quando se olha uma caveira é impossível determinar se ela vem de um homem ou de uma mulher, de um branco ou de um negro, de um ocidental ou de um oriental, de um rico ou de um pobre, mas os que usam essa minha moda são tachados de drogados, viciados, vagabundos, loucos, adoradores de satã, somos chamados de “aqueles que curtem aquele barulho” por não conseguirem identificar os sinais que existem em nossa música.

Portanto, a minha moda teve um início, mas nunca terá um fim enquanto o mundo precisar de amor, de compreensão, de caridade, de liberdade, o Rock And Roll continuará mais vivo que nunca lutando por todos nós em busca da verdadeira aldeia global e do amor entre todas as criaturas.

LONGA VIDA AO ROCK AND ROLL!
... essa é a minha moda!


RAINBOW : Long Live Rock'n'Roll Live Munich 1977


KISS : Rock And Roll All Nite Live Rocks Vegas


ROLLING STONES : It's Only Rock 'n' Roll Live The Vault - LA Forum 1975


MADE IN BRAZIL : Minha Vida é o Rock'n'Rol Live Gillan's Inn Rock Bar 2015



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Jackknife Johnny

sexta-feira, 1 de julho de 2016

UM BRILHO NAS SOMBRAS - Uma Fábula de Rock And Roll

LANÇAMENTO DO LIVRO E SESSÃO DE AUTÓGRAFOS


Dizem que o amor pode operar verdadeiros milagres, a história de Andy e Lady Jane nos vem dar provas insofismáveis dessa teoria, nos mostrando que mesmo nas mais diversas situações, o amor entre duas pessoas pode causar modificações e transformar as pessoas em sua essência, a história desses dois personagens mexe com todos os nossos sentidos, ela é intensa, forte e marcante.
Andy teve uma infância muito dura, teve que se virar sozinho e crescer aprendendo sobre a vida com ela em curso, conhece sua maior paixão e ali tem início uma linda história, pois sua amada, Lady Jane, iria descortinar o mundo a Andy, e mostraria a ele a força e a profundidade do amor verdadeiro, e assim os dois desenvolvem uma paixão incomensurável, intensa, cheia de carinho e respeito, e assim trilham as linhas deste livro, recheado de amor, paixão, suspense, e de muito Rock And Roll. 
Um Brilho nas Sombras é um romance que permeia a juventude e os desejos de dois jovens, em comungarem o amor eterno, esta história é uma homenagem à vida e ao amor verdadeiro, e é dedicada àqueles que amam de verdade, aos sonhadores e a todos os Rockers.

Abaixo algumas músicas que estão citadas no livro.

LOU REED : The Kids


ERIC CLAPTON : Wonderful Tonight


THE DOORS : Riders On The Storm


WHITESNAKE : The Deeper The Love


Todos os Rockers estão convidados ao evento.
Longa Vida ao Rock And Roll !

The Rock's Hidden Treasures - 78. Winterhawk

WINTERHAWK : Outra Banda Setentista Fantástica !


Um amigo de escola chamado Rich Mezger conversou com Jordan Macarus na primavera de 1977, perguntando se ele estava interessado em formar uma banda.  Ele disse a Jordan que ele tinha um par de pessoas que gostariam de acompanha-los, eram eles Doug Brown e Dan Searight.  Rich também falou aos dois que tinha um guitarrista interessado e que gostaria de fazer um teste para entrar para a banda, esse era Jordan.  
Com Rich Mezger na bateria, todos pensavam que a banda teria seu começo, porém ele acabou entrando numa faculdade e acabou desistindo do projeto, assim Jordan, Doug e Dan começam a procurar por outro baterista.


Jordan e o sonoplasta Henry Myers, foram a uma loja de discos local em Downers Grove para colocarem um cartaz anunciando que estavam procurando baterista, e viram um anúncio de um baterista procurando por banda para poder tocar.
Eles seguiram as instruções do cartaz e foram em busca do Gerente da loja e encontram Steve Tsokatos, que era a pessoa que estavam procurando.


Após uma breve conversa se acertam para uma reunião no final de semana para uma jam sessions. 
Uns dias após Steve aparece num fusca, que estava todo lotado pelas peças da bateria Octo Plus, quase não havia espaço no carro para ele dirigir, a jam resultou na formação do Winterhawk.
A banda ensaia muito durante cerca de dois meses, e fazem um show ao vivo no Aragon Ballroom de Chigaco, sendo este o primeiro de muitos que resultaram na fama da banda pelas redondezasa, onde era vista como sendo uma banda cult.


Dan Searight acabou saindo da banda sendo substituído por Steve Brown, e a banda se concentra nas performances ao vivo, voltando varias vezes ao Aragon para várias exibições.
O disco ao vivo “Hammer And The Axe” veio a partir dessa série de shows no Aragon.
Steve Brown deica a banda para seguir carreira como artista comercial, e a banda fica apenas com a formação de um trio, tocando nessa formação por cerca de dois anos, abrindo shows para diversas bandas como Jefferson Starship, Steppenwolf, Black Oak Arkansas, Budgie e várias outras.
Ao mesmo tempo, um amigo de longa data de Jordan, Chris Mazur, estava tocando em outra banda com o baterista Scott Benes.  A relação profissional entre Doug e Jordan começou a se tornar difícil.  Tornava-se claro que os objetivos pessoais e musicais estavam começando a ir em direções diferentes para Jordan e Doug.  


A banda acaba explodindo, e Doug recrutou o baixista Malcolm Williamson eo baterista Scott Benes da banda Mutiny, a banda em que Chris estava tocando naquele momento.  Doug convida Chris para juntar-se também, mas a lealdade de Chris era com Jordan.  
Steve Tsokatos resolve dedicar seu tempo para começar uma família, Chris e Jordan decidem cursar a faculdade, e tornam-se companheiros de quarto na Northern Illinois University. O disco “Revival" nasceu ali.  


Jordan e Chris começam a pensar sobre gravarem um disco. Eles ouviram várias gravações ao vivo Winterhawk, e fizeram uma lista de canções em potencial.  Doug mostrou interesse no projeto, e sugeriu que Scott Benes tocasse bateria.  A banda ensaiou por sete fins de semana com Chris na guitarra base,  em seguida entram no Dr. CAW Studios em 17 de dezembro de 1981. A gravação foi concluída em 1 de Janeiro de 1982. Craig A. Williams assumiu a produção com Jordan e Chris auxiliando na mixagem final.  O disco foi lançado em 1982 pelo selo próprio da banda e alcançou um status de cult entre oe colecionadores de hard rock e fãns da banda.

Formação Atual 
   Steve Vanaria : Vocais, Guitarra, Baixo
   Chris Mazur : Guitarra, Baixo
   Jordan Macarus : Vocais, Guitarra
   Steve Tsokatos : Bateria, Vocais Secundários

Ex-membros 
   Dan Searight : Guitarra
   Scott Benes : Bateria
   Doug Brown : Vocais, Baixo
   Malcolm Williamson : Baixo
   Steve Brown : Guitarra

Discografia
   Revival - 1982
   Good Golly Miss Molly - Rock and Roll Soldier - 1984
   There and Back Again Live - 2002    
   Wind from the Sun - 2004
   Dark Daze - Valhalla, Holla - 2011


Winterhawk : Period of Change (Revival 1982)


Winterhawk : There And Back Again (1978)


Winterhawk : Free To Live


Winterhawk : Hammer and the Axe


Winterhawk : Revival [Full Album]



O Winterhawk é uma banda espetacular, como sonoridade setentista clássica.
Longa Vida ao Winterhawk.
Longa Vida ao Rock And Roll.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Special Edition - 57. David Bowie

DAVID BOWIE : O Eterno Camaleão do Rock !


David Bowie, nome artístico de David Robert Jones, (Brixton, Londres, 8 de janeiro de 1947 — Manhattan, Nova Iorque, 10 de janeiro de 2016) foi um cantor, compositor, ator e produtor musical inglês. Por vezes referido como "Camaleão do Rock" pela capacidade de sempre renovar sua imagem, tem sido uma importante figura na música popular há cinco décadas e é considerado um dos músicos populares mais inovadores e ainda influentes de todos os tempos, sobretudo por seu trabalho nas décadas de 1970 e 1980, além de ser distinguido por um vocal característico e pela profundidade intelectual de sua obra.


Embora desde cedo tenha realizado o álbum David Bowie e diversas canções, Bowie só chamou a atenção do público em 1969, quando a canção "Space Oddity" alcançou o quinto lugar no UK Singles Chart. Após um período de três anos de experimentação, que incluem a realização de dois significativos e influentes álbuns, The Man Who Sold the World (1970) e Hunky Dory (1971), ele retorna em 1972 durante a era glam rock com um alter ego extravagante e andrógino chamado Ziggy Stardust, sustentado pelo sucesso de "Starman" e do aclamado álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. Seu impacto na época foi um dos maiores cultos já criados na cultura popular. Em 1973, o disco Aladdin Sane levou Ziggy aos EUA. A vida curta da persona revelaria apenas uma das muitas facetas de uma carreira marcada pela reinvenção contínua, pela inovação musical e pela apresentação visual.
Em 1974, o álbum Diamond Dogs previa, com seu som e sua temática caótica, a revolução punk que surgiria anos depois. Em 1975, Bowie finalmente conseguiu seu primeiro grande sucesso em território americano com a canção "Fame", em co-autoria com John Lennon, do álbum Young Americans. O som constitui uma mudança radical no estilo que, inicialmente, alienou muitos de seus devotos no Reino Unido. Nessa etapa, a carreira musical de Bowie se renovou e seguiu novos rumos. Após a criação de uma nova persona, Thin White Duke, apresentada no aclamado Station to Station (1976), que traz um Bowie interessado em misticismo, Cabala e Nazismo, ele confundiu as expectativas de seu público americano e de sua gravadora com a produção do minimalista Low (1977) — a primeira das três colaborações com Brian Eno durante os próximos dois anos. A chamada "Trilogia de Berlim" (com "Heroes" e Lodger) trouxe álbuns introspectivos que lograram o topo nas paradas britânicas e que ganharam admiração crítica duradoura.


Seguindo o sucesso comercial irregular no final dos anos 70, a canção "Ashes to Ashes" do álbum de 1980 Scary Monsters (and Super Creeps) alcançou o primeiro lugar no Reino Unido e lançou bases para um novo movimento chamado New Romanticism. No ano seguinte, junto à banda Queen, escreveu e cantou a canção "Under Pressure" e em seguida atingiu novo pico comercial com o álbum Let's Dance (1983), que rendeu sucessos com a canção homônima e o fez cativar nova audiência. Ao longo dos anos 1990 e 2000, Bowie continuou a experimentar novos estilos musicais, incluindo os gêneros industrial, drum and bass, e adult contemporary. Seu último álbum de inéditas foi por muito tempo Reality, uma mistura de melancolia e humor, suportado pela A Reality Tour de 2003–2004. Após um período de quase dez anos em hiato, anuncia The Next Day pelo Facebook e pelo seu novo website. Seu novo álbum (The Next Day), está com três indicações ao Grammy (Melhor performance de rock 'Stars Are Out Tonight), Melhor Conteúdo Extra (The Next Day Extra) e melhor álbum de rock.
A influência de David Bowie é única, musical e socialmente. Como escreveu o biógrafo David Buckley, "ele penetrou e modificou mais vidas do que qualquer outra figura comparável." De fato, grande é sua influência no mundo da música entre artistas e bandas mais antigas e a nova geração (Ver Influência), e, além de ter auxiliado movimentos como a libertação gay e a recriação de uma nova juventude independente, introduziu novos modos de se vestir na cena musical e tem uma carreira prestigiada no cinema. Em 2002, ficou em 29º lugar na lista popular 100 Greatest Britons e já vendeu mais de 136 milhões de álbuns ao longo de sua carreira. Foi premiado no Reino Unido com 9 certificações de álbum de platina, 11 de ouro e 8 de prata, e, nos Estados Unidos, 5 de platina e 7 de ouro. Em 2004, a Rolling Stone colocou-o na 39ª posição em sua lista dos "100 Maiores Artistas do Rock de Todos os Tempos" e em 23º lugar na lista dos "Melhores Cantores de Todos os Tempos".

1947–1962: Primeiros anos
David Bowie nasceu como David Robert Jones em Brixton, Londres, em 8 de janeiro de 1947. Sua mãe, Margaret Mary "Peggy", era descendente de irlandeses e trabalhava como arrumadeira de cinema, enquanto seu pai, Haywood Stenton "John" Jones, era oficial de promoções da Barnardo's. A família vivia no número 40 da Stansfield Road, próximo da fronteira das zonas londrinas do sul de Brixton e Stockwell. Um vizinho lembrou que "Londres na década de quarenta era o pior lugar possível, e o pior lugar possível para uma criança nascer." Bowie freqüentou a Stockwell Infants School até seus seis anos de idade, adquirindo reputação de garoto com talento para cantar e, principalmente, gritar.
Mudando-se em 1953 para um subúrbio próximo, em Bromley, a família o enviou à Burnt Ash Junior School. Sua voz foi considerada "adequada" no coral da escola, onde ele demonstrou uma capacidade musical acima da média. Aos nove anos de idade, foi introduzido ao método educativo de escutar sons e dançar, e sua dança agradou os professores, que a achavam "vividamente artística" e sua postura "surpreendente" para uma criança. Neste mesmo ano, seu interesse pela música cresceu quando o pai trouxe para casa discos de vinis de uma coleção americana com músicas cantadas por Frankie Lymon and the Teenagers, The Platters, Fats Domino, Elvis Presley e Little Richard. Ao ouvir Richard cantar "Tutti Frutti", Bowie diria mais tarde: "Eu tinha escutado a voz de Deus." Da mesma forma, o impacto de Presley em sua vida também foi enfático: "Eu vi uma prima minha a dançar 'Hound Dog' e eu nunca tinha visto ela se levantar e se mover tanto por nada. Realmente me impressionou, o poder da música. Comecei a procurar discos depois disso." No final do próximo ano, o garoto começou a aprender ukelele e tea-chest bass e a participar em sessões de skiffle com os amigos, além de ter começado a tocar piano; enquanto isso se apresentava para os amigos escoteiros fingindo ser Elvis e Chuck Berry e sua presença no palco era descrita como "fascinante... como alguém de outro planeta." Porém, entrou para a Ravens Wood School assim que viu que suas notas no Burnt Ash Junior não foram boas.


Era uma escola técnica incomum, como escreve o biógrafo Christopher Sandford:
"Apesar de seu status, a escola era, na época em que David chegou em 1958, rica em rituais misteriosos, como qualquer outra escola pública inglesa. Havia casas, nomeadas em homenagem a estadistas do século XVIII como Pitt e Wilberforce. E tinha um uniforme, e um elaborado sistema de recompensas e punições. Havia também um foco em idiomas, ciências e particularmente desenho, de onde uma atmosfera colegial floresceu sob a tutela de Owen Frampton. No relato de David, Frampton conduzia por força da personalidade, e não pelo intelecto; no entanto, seus colegas no Bromley Tech não eram famosos por nenhum dos dois, e renderam, aos alunos mais brilhantes em artes da escola, um regime tão liberal que Frampton encorajou o seu próprio filho, Peter, a prosseguir numa carreira musical com David, parceria brevemente intacta trinta anos mais tarde."
Bowie estudou arte, música e desenho, incluindo layout e typsetting. Depois de Terry Burns, seu meio-irmão por parte de mãe, apresentá-lo ao jazz moderno, o seu entusiasmo por instrumentistas como Charles Mingus e John Coltrane levou sua mãe a lhe dar um saxofone alto em 1961; não demorou para que o garoto recebesse aulas de um músico local. Em 1962, metido numa briga por conta de uma garota, recebeu um ferimento grave na escola, quando o amigo George Underwood lhe deu um forte soco no olho esquerdo usando um grande anel no dedo. Os médicos temiam que ele viesse a perder parcialmente a visão; foi forçado a ficar fora da escola para uma série de operações durante uma internação de quatro meses. O dano não pôde ser totalmente reparado — deixando-o com a percepção deficiente e com a pupila permanentemente dilatada (tempos depois isso tornaria-se a marca pessoal do artista, que embora tenha os dois olhos azuis, aparenta ter um olho de cada cor, fenômeno conhecido como heterocromia. Alguns acreditavam que seu olho fosse de vidro mas na realidade o problema em seu olho é designado anisocoria que, no seu caso, lhe deixou permanentemente a pupila esquerda dilatada). Apesar da briga violenta, Underwood e Bowie continuaram amigos, e Underwood passou a cuidar da parte artística dos primeiros álbuns de Bowie.

1962–1968: Os Kon-rads e os Riot Squad
De seu saxofone de plástico a um instrumento real em 1962, Bowie formou sua primeira banda aos 15 anos de idade. Os Kon-rads tocavam guitarra baseada no rock and roll em reuniões de jovens e em casamentos, e tinham uma formação que variava entre quatro e oito membros, entre eles Underwood. Ao deixar a escola técnica no ano seguinte, Bowie informou a seus pais o seu sonho de tornar-se uma estrela do rock. Não demorou, então, para sua mãe o arranjar um emprego como companheiro de eletricista. Frustrado pelas limitadas aspirações que seus colegas de banda tinham, Bowie deixou a Kon-rads e formou outra banda, os King Bees. Escreveu uma carta a um empresário inglês bem-sucedido, chamado John Bloom, que trabalhava com máquinas de lavar, convidando-o a "fazer por nós o que Brian Epstein fez pelos Beatles — e fazer mais um milhão." Bloom não respondeu à oferta, mas encaminhou o convite à Leslie Conn, parceiro de Dick James, que contratou Bowie, fazendo dessa a primeira gestão pessoal do artista.
Leslie Conn logo começou a promover o trabalho de David Bowie. O primeiro single do cantor, "Liza Jane", creditado à David Jones e os King Bees, não logrou nenhum sucesso comercial. Desapontado com os King Bees e o repertório blues de Howlin' Wolf e Willie Dixon, Bowie deixou a banda a menos de um mês depois de entrar para a Manish Boys, banda com levada blues, mas que também incorporava elementos do folk e soul: "Eu costumava sonhar em ser o Mick Jagger deles", recordaria Bowie anos mais tarde. "I Pity the Fool" não teve maior sucesso que "Liza Jane", e não demorou para que Bowie muda-se novamente de grupo, dessa vez entrando para o Lower Third, trio de blues fortemente influenciado pelo The Who. "You've Got a Habit of Leaving" não se saíu melhor, e marcou o fim do contrato com Conn. Declarando que iria deixar o mundo pop "para estudar mímica no Sadler's Wells", Bowie, no entanto, permaneceu no Lower Third. Seu novo empresário, Ralph Horton, seria uma figura importante em sua transição para artista solo mais tarde, e também o apoiou quando David mudou-se para outro grupo, o Buzz, cuja canção "Do Anything You Say" foi um verdadeiro fracasso. Enquanto era contratado por Buzz, Bowie entrou em 1967 para a Riot Squad; as gravações desse novo grupo, que incluíam músicas escritas por Bowie e covers do Velvet Underground, não foram nunca lançadas. Ken Pitt, introduzido por Horton, passou a ser então o novo empresário de Bowie.


Insatisfeito com seu nome artístico, na época Davy (e Davie) Jones, que em meados da década de 1960 permitia confusão com o ator Davy Jones do The Monkees, o jovem músico renomeou seu nome artístico baseado no sobrenome de um americano do século XIX chamado Jim Bowie e também à faca que ele popularizou. Seu nome também pode ser uma referência ao personagem David Bowman de 2001: A Space Odyssey, famoso filme que inspirou a canção Space Oddity. Seu single "The Laughing Gnome", lançado em abril de 1967, utilizava os vocais acelerados à estilo do The Chipmunks, mas não logrou sucesso comercial. David Bowie, seu álbum de estreia, lançado seis semanas depois, é uma amálgama de pop, folk, psicodelia e music hall, mas teve o mesmo destino de suas tentativas anteriores. O disco foi seu último lançamento por dois anos.
Seu fascínio pelo bizarro reforçou-se com o encontro com o dançarino Lindsay Kemp, como disse o próprio Bowie: "Ele vivia em suas emoções, foi uma influência maravilhosa. Sua vida cotidiana era a coisa mais teatral que eu já tinha visto. Era tudo o que eu pensava sobre bohemia. Entrei para o circo." Kemp, por sua vez, lembrou: "Eu não o ensinei a ser um artista mímico, mas a botar para fora o que ele era .... Eu o ativei para liberar o anjo e o demônio que estava em seu interior." Estudando artes dramáticas com Kemp, do teatro avant-garde e da mímica à commedia dell'arte, Bowie ficou imerso na criação de personagens para apresentar ao mundo. Satirizando a vida numa prisão britânica, a canção de 1967 "Over the Wall We Go" tornou-se um single na voz de Paul Nicholas; outra composição de Bowie, chamada "Silly Boy Blue", foi realizada por Billy Fury no ano seguinte. Bowie começou a namorar Hermione Farthingale quando ela foi escalada junto a ele por Kemp para um minueto poético; logo ambos os amantes se mudaram juntos para um apartamento londrino. Tocando violão, ela formou um grupo com Bowie e o baixista John Hutchinson; entre setembro de 1968 e inícios de 1969, quando Bowie e Farthingale rompiam, o trio dava um pequeno número de concertos combinando folk, beat music, poesia e mímica.

1969–1973: Do folk psicodélico ao glam rock
De Space Oddity ao Hunky Dory
Por conta da falta de sucesso comercial, Bowie se viu obrigado a tentar a ganhar a vida de formas diferentes. Uma dessas foi gravar um comercial para a empresa de sorvetes Lyons Maid, que, no entanto, foi rejeitado por outro do Kit Kat. Em 1969, foi realizado o filme de 30 minutos Love You till Tuesday, concebido como veículo para promover o cantor com apresentações de seu repertório. Apesar de não ter sido lançado até 1984, as sessões de filmagem em janeiro daquele ano levaram a um sucesso inesperado quando Bowie disse aos produtores: "Esse filme de vocês — Eu tenho uma nova canção para ele." Bowie gravou um demo da canção que daria o seu avanço comercial. "Space Oddity" foi lançada meses depois para coincidir com o primeiro pouso na lua. Rompendo seu namoro com Farthingale logo após o término do filme, Bowie mudou-se com Mary Finnigan como seu inquilino. Nesta época continuava sua divergência do rock and roll e do blues iniciada por seu trabalho com Farthingale e, por isso, juntou forças com ela, com Christina Ostrom e Barrie Jackson para conduzir um clube de folk nas noites de domingo no pub Three Tuns na High Street, em Beckenham. Este logo transformou-se em Beckenham Arts Lab, e ficou extremamente popular. O Beckenham Arts Lab organizou um festival livre num parque local, mais tarde imortalizado por Bowie na canção "Memory of a Free Festival". Realizado em 11 de julho, cinco dias antes do lançamento da Apollo 11, "Space Oddity" ficou em 5º lugar no top do Reino Unido. Seu segundo disco, Space Oddity, realizado em novembro, foi lançado no Reino Unido com o nome de David Bowie, o que causou certa confusão com seu antecessor homônimo, e o lançamento nos EUA foi antecipadamente intitulado Man of Words/Man of Music. À época de seu lançamento, não usufruiu sucesso comercial, mesmo com suas letras filosóficas de um mundo pós-hippie sobre paz, amor e moralidade, e um som de folk rock acústico fortificado pelo rock pesado.
Bowie conheceu Angela Barnett em abril de 69. Se casariam dentro de um ano. O impacto da moça sobre ele foi imediato, e o envolvimento dela em sua carreira teve longo alcance, deixando o empresário Kein Pitt em influência limitada. Estabelecido como artista solo após "Space Oddity", sentia falta de algo: "uma banda em tempo livre para apresentações e gravações — pessoas enfim com as quais ele poderia se relacionar pessoalmente."A lacuna se fortaleceu quando teve uma rivalidade artística com Marc Bolan, na época seu guitarrista de estúdio. Mas uma banda foi devidamente montada: John Cambridge, baterista que Bowie conheceu no Arts Lab, foi convivado por Tony Visconti, que tocaria no baixo, e Mick Ronson na guitarra elétrica. Após uma breve e desastrosa manifestação sob o nome de Os Hype, o grupo sofreu nova reconfiguração, agora apresentando Bowie como artista solo. O trabalho inicial do grupo ficou marcado por um desentendimento acalorado entre Bowie e Cambridge sobre o estilo do segundo de tocar bateria; a discussão chegou no ápice quando Bowie soltou: "Você está fudendo meu álbum". Cambridge deixou o grupo e foi substituído por Mick Woodmansey. Pouco tempo depois, ocorreu um ato que resultaria em anos de litígio: Bowie viu-se forçado a pagar indenização a Pitt, e por isso o demitiu, substituindo-o por Tony Defries.


As sessões de estúdio resultaram em seu terceiro disco, The Man Who Sold the World (1970), caracterizado pelo som de rock pesado da sua nova banda e que marcou explicitamente um afastamento do violão e do estilo folk estabelecido em Space Oddity. Para promover o álbum nos EUA, a Mercury Records financiou uma turnê de divulgação em que Bowie, entre janeiro e fevereiro de 1971, foi entrevistado por emissoras de rádio e mídia. Explorando sua aparência andrógina, a capa original da versão britânica retrata o cantor com cabelos longos e um vestido: ele o utilizou durante as entrevistas — para a aprovação de críticos, incluindo John Mendelsohn da Rolling Stones que o descreveu da seguinte forma: "deslumbrante, quase desconcertantemente lembra Lauren Bacall", e, nas ruas, a reação das pessoas variava entre o riso e a surpresa, até que um dos pedestres abordou Bowie com um revólver e lhe disse: "beije minha bunda". Durante a viagem, conheceu o trabalho de dois americanos proto-punks que foram seminais e que o levaram a desenvolver o conceito que formaria mais tarde a persona Ziggy Stardust: a fusão da personalidade de Iggy Pop com a música de Lou Reed; ambos elementos o fizeram produzir "o último ídolo pop". Uma amiga recordou seu hábito de "rabiscar notas em guardanapos sobre uma estrela do rock doida, chamada Iggy ou Ziggy", e, retornando à Inglaterra, declarou a intenção de criar uma personagem "que parecesse que havia chegado de Marte."
No álbum Hunky Dory (1971), Visconti, seu produtor e baixista, foi substituído de ambos os papéis por Ken Scott e Trevor Bolder, respectivamente. O álbum testemunhou o retorno parcial do cantor de "Space Oddity", com canções como "Kooks", escrito para seu filho, Duncan Zowie Haywood Jones, nascido em 30 de maio. Os pais escolheram seu nome kooky — o menino seria conhecido como Zowie pelos próximos 12 anos — por conta da palavra em grego zoe, vida. Por outro lado, o álbum também explorou temas sérios, e homenageia algumas de suas influências musicais, nas canções "Song for Bob Dylan", "Andy Warhol", e "Queen Bitch" (pastiche do som do Velvet Underground). O disco, contudo, não alcançou sucesso comercial na época.

Zigy Stardust
Em sua empreitada musical seguinte, Bowie desafiou, nas palavras do biógrafo David Buckley, "a crença central da música rock de sua época" e "criou provavelmente o maior culto da cultura popular."Vestido com um traje notável, seus cabelos tingidos de vermelho, e o rosto e os lábios fortemente maquiados, Bowie inaugurou a apresentação de Ziggy Stardust com os The Spiders from Mars — Ronson, Bolder e Woodmansey — num pub chamado Toby Jug em Tolworth, em 10 de fevereiro de 1972. A apresentação foi um sucesso e levou-o ao estrelato; Ziggy e os Spiders from Mars viajaram pelo Reino Unido ao longo dos próximos seis meses e propagaram um "culto a Bowie" que "era único, sua influência durou mais tempo e tem sido mais criativa do que talvez quase todas as forças dentro da cultura pop."Combinando elementos do hard rock de The Man Who Sold the World com o rock mais leve e experimental de Hunky Dory, o disco The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972) foi lançado em junho. "Starman", divulgada como canção principal do álbum, fez com que o Reino Unido focasse todos seus olhos em Bowie: ambos o single e o LP atingiram o topo rapidamente após sua performance da canção ser apresentada em julho no Top of the Pops. O álbum, que permaneceria nas paradas por dois anos, logo se juntou ao Hunky Dory, que agora fazia seis meses de idade. Ao mesmo tempo, as canções "John, I’m Only Dancing" e "All the Young Dudes", escrita e produzida para Mott the Hoople, tornaram-se sucesso em seu país de origem. A Ziggy Stardust Tour continuou pelos Estados Unidos.
Bowie contribuiu com back vocals no álbum solo Transformer (1972) de Lou Reed, co-produzindo o disco com Ronson. Seu Aladdin Sane (1973), que ainda trazia o glam rock à tona, atingiu o primeiro lugar no Reino Unido — tornando-se seu primeiro álbum a alcançar tal posição. Descrito pelo próprio Bowie como "Ziggy vai à América", contém canções que ele escreveu durante a viagem aos Estados Unidos, que depois continuou pelo Japão para promover o novo álbum de 73. Alladin Sane foi o primeiro álbum de Bowie realizado quando ele já era, de certa forma, conhecido como pop star, e trouxe outros sucessos, como "The Jean Genie", "Drive-In Saturday" e "Let's Spend the Night Together", cover dos Rolling Stones.
Seu amor em atuar o fez imergir em personagens criados para suas músicas. "Fora dos palcos sou um robô. No palco eu adquiro emoção. Provavelmente por isso que prefiro vestir-me como Ziggy do que como David." Porém, com a satisfação vieram graves dificuldades pessoais: atuando como a mesma pessoa por um longo período, tornou-se impossível separar Ziggy Stardust — e, mais tarde, o Thin White Duke — de sua própria pessoa nos bastidores. Ziggy, Bowie disse certa vez, "não me deixava sozinho durante anos. Foi quando tudo começou a azedar... Minha própria personalidade como um todo havia sido afetada. Tornou-se muito perigoso. Eu realmente tinha dúvidas sobre minha própria sanidade."[39] Suas apresentações tardias como Ziggy, que incluíam canções do disco Ziggy Stardust bem como do Aladdin Sane, eram ultrateatrais, muitas vezes utilizando elementos da mímica aprendida anos antes com Lindsay Kemp, e cheias de momentos chocantes, em cenas nas quais Bowie simulava um sexo oral na guitarra de um Ronson elétrico. Bowie viajou e deu conferências de imprensa como Ziggy antes de uma abrupta e dramática "aposentadoria" dos palcos no Hammersmith Odeon, Londres, em 3 de julho de 1973. Foram realizadas filmagens desse evento final e histórico, e lançadas em 1983 como Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, dirigido por D. A. Pennebaker.
Depois de romper a união bem-sucedida com os Spiders from Mars, Bowie tentou deixar Ziggy para trás. Seu catálogo anterior aos sucessos de 1972 estavam sendo cada vez mais requisitados: The Man Who Sold the World foi relançado em 1972 junto com Space Oddity. "Life on Mars?", de Hunky Dory, é lançado em junho de 1973 e chegou à terceira posição na UK singles chart. Em setembro, "The Laughing Gnome", gravado originalmente em 1967, atingiria a quarta posição. Pin Ups, coleção de covers de suas canções favoritas da década de 1960, foi lançado em outubro de 73, e trouxe o hit "Sorrow", que alcançou a primeira posição, dando a Bowie o crédito de artista mais vendido no Reino Unido em 1973. Também cresceram a vendagem de seus álbuns anteriores, que chegaram, juntos, à sexta posição no UK chart.

1974–1976: Soul, funk e o Thin White Duke
Bowie mudou-se para os Estados Unidos em 1974, hospedando-se em Nova Iorque antes de se estabelecer em Los Angeles. Diamond Dogs (1974), álbum que o encontrou dividido entre o soul e o funk, derivou-se de duas ideias distintas: um musical baseado num futuro selvagem e sediado numa cidade pós-apocalíptica e a tarefa de musicar o livro 1984 de George Orwell. O disco alcançou a primeira posição no Reino Unido e a quinta nos EUA, gerando os sucessos "Rebel Rebel" e "Diamond Dogs". Para promovê-lo, Bowie lançou a Diamond Dogs Tour, visitando cidades da América do Norte entre junho e dezembro de 1974. Com coreografias de Toni Basil, e ricamente produzido com elementos teatrais e efeitos especiais, a produção de alto orçamento foi filmada por Alan Yentob. O resultado dessas imagens foi o documentário Cracked Actor, apresentando um Bowie pálido e magérrimo: de fato, a turnê coincidiu com a queda do cantor em usar constantes doses de cocaína, que o afetou com debilidades físicas graves, paranóias e problemas emocionais. Mais tarde, Bowie comentaria que seu primeiro álbum ao vivo, David Live (David ao vivo, 1974), deveria se chamar "David Bowie Está Vivo e Bem e Vivendo Apenas na Teoria". David Live, no entanto, solidificou seu status de superstar, e alcançou a segunda posição no Reino Unido e a oitava nos EUA. Depois de uma curta pausa em Filadélfia, onde Bowie também gravou novo material, a turnê recomeçou com uma nova ênfase na música soul.


O fruto dessas sessões de gravação na Filadélfia foi o disco Young Americans (1975). O biógrafo Chritopher Sandford comenta: "Ao longo dos anos, a maioria dos roqueiros britânicos tentaram, de uma forma ou de outra, tornar-sem negros por extensão. Poucos tinham se sucedido tão bem como Bowie."A levada do álbum, que o cantor chamou de plastic soul, constituiu uma mudança radical no estilo que, inicialmente, alienou muitos de seus devotos do Reino Unido. Young Americans trouxe a primeira canção de Bowie a atingir a primeira posição nos EUA, "Fame", co-escrita com John Lennon, que também contribuiu com backing vocals, e Carlos Alomar. Distinguindo-se como um dos primeiros artistas brancos a aparecer no programa de variedades americano Soul Train, Bowie cantou "Fame" e "Golden Years", seu single de outubro. O disco foi um sucesso comercial nos EUA e no Reino Unido e, aproveitando tal prestígio, as gravadoras relançaram "Space Oddity" de 1969, que então veio a ser a primeira canção do artista a atingir a primeira posição no Reino Unido, meses depois de "Fame" alcançar o mesmo nos EUA. Embora seu estrelato nessa época estivesse melhor estabelecido, Bowie só existia essencialmente quando podia mudar e surpreender, mesmo com as vendas estabelecidas de suas gravações (na época, mais de um milhão de cópias só do álbum Ziggy Stardust). Em 1975, ecoando o desentendimento amargo que teve com Pitt quinze anos antes, Bowie demitiu seu novo empresário. No auge do conflito que se seguiu em meses de duração na justiça, assistiu, como descreve o biógrafo Christopher Sandford, "milhões de dólares de seus ganhos futuros serem entregues a DeFries em termos excepcionalmente generosos", e então "trancafiou-se na West 20th Street, onde por uma semana seus gritos podiam ser ouvidos através da porta do sótão trancado."Michael Lippman, seu advogado durante as negociações, tornou-se também seu mais novo empresário; Lippman, por sua vez, receberia uma compensação significativa depois de também ser demitido por Bowie no ano seguinte.
Station to Station (1976) apresentava uma nova persona, o "Thin White Duke" do título principal. Visualmente, era uma extensão de Thomas Jerome Newton, o extraterrestre que ele retratou no filme The Man Who Fell to Earth do mesmo ano. Desenvolvendo o funk e o soul de Young Americans, este novo disco também prefigurava o krautrock e sintetizava a música dos seus próximos lançamentos. Trazia um Bowie interessado em misticismo e na Cabala. Sua toxicodependência tornou-se pública quando Bowie foi entrevistado por Russell Harty no programa London Weekend Television, numa antecipação da turnê do álbum. Pouco antes da entrevista propagada via satélite começar, era anunciada a morte do ditador espanhol General Franco. Pediram para que Bowie abandonasse a reserva do satélite a fim de que permitisse que o governo espanhol transmitisse notícias sobre o ocorrido. Recusou-se a fazê-lo, e sua entrevista continuou. Na conversa em que se seguiu, conforme descrito pelo biógrafo David Buckley, "o cantor não deu nenhum sentido àquela que foi uma entrevista bastante extensa. [...] Bowie parecia completamente desconexo e mal conseguia pronunciar uma fase coerente."Sua sanidade tornou-se distorcida pela cocaína e ele sofreu overdoses durante todo o ano, além de emagrecer fisicamente de maneira alarmante.
O lançamento de Station to Station aconteceu em janeiro de 1976 e foi seguido em fevereiro por uma turnê de três anos e meio pela Europa e América do Norte. Apresentando todas as faixas do disco, a Isolar – 1976 Tour também destacou as canções do álbum, incluindo a dramática e longa canção-título "Station to Station", as baladas "Wild Is the Wind" e "Word on a Wing", além dos funks "TVC 15" e "Stay". A banda que tocou no disco e na turnê consistia do guitarrista Carlos Alomar, baixista George Murray, e baterista Dennis Davis-que continuariam como unidade estável e criativa pelos próximos anos da década. A turnê logrou ser bem sucedida, mas foi cercada por controvérsias políticas. Em Estocolmo, foi creditada à Bowie a frase de que "a Grã-Bretanha poderia beneficiar-se de um líder fascista" e posteriormente ele foi preso pela alfândega na fronteira Rússia-Polônia por posse de parafernálias nazistas.
Nessa época também ocorreu o "incidente da Estação Victoria": chegando num conversível Mercedes-Benz, Bowie acenou para a multidão em um gesto que alguns alegaram ter sido a saudação nazista, e cuja fotografia foi tirada e publicada na NME. Bowie afirmou tempos depois que o fotógrafo simplesmente havia o pegado acenando, declaração apoiada pelo então jovem Gary Numan, que estava entre a multidão naquele dia: "Pense nisso. Se um fotógrafo tira uma foto de alguém acenando, você vai ter uma saudação nazi no final do movimento de cada braço. Tudo que você precisa é algum idiota num jornal de música ou algo do tipo para fazer uma matéria sobre isso..."Mais tarde, o músico também se arrependeu por seus comentários pró-fascismo e seu comportamento durante o período de vícios e do caráter do Thin White Duke. Disse: "Eu estava fora da minha mente, totalmente enlouquecido. As únicas coisas das quais eu estava ligado eram mitologia... aquela coisa toda sobre Hitler e o Direitismo... Eu descobri o Rei Artur..."De acordo com o dramaturgo Alan Franks, escrevendo mais tarde no The Times, "ele realmente estava demente" e teve experiências muito ruins com drogas pesadas.


1976-1979: Estadia em Berlim
Mudando-se para a Suíça em 1976, comprou um chalé numa montanha no norte do Lago de Genebra. Na nova residência, sua dependência pela cocaína cresceu; além disso, quis aventurar-se em atividades extra-musicais. Começou a pintar e produziu uma série de quadros pós-modernistas. Na turnê, costumava desenhar num caderno e fotografar cenas que serviriam de referência futura. Ao visitar o Brücke Museum em Berlim e outras galerias em Genebra, Bowie se transformou, nas palavras do biógrafo Christopher Sandford, "num prolífico pintor e colecionador de arte contemporânea. [...] Mas não somente um famoso patrono de arte expressionista: trancafiado em Clos des Mésanges, iniciou um curso intensivo de auto-aperfeiçoamento em música clássica e literatura, e começou a trabalhar numa autobiografia."Tais aperfeiçoamentos só viriam a enriquecer seu trabalho de estúdio e palco.
1976 ainda não tinha terminado quando seu interesse pela cena musical da Alemanha e seu vício em drogas o levaram a mudar-se para a Berlim Ocidental, no intuito de renovar e revigorar sua carreira musical. Trabalhando com Brian Eno, enquanto dividia um apartamento em Schöneberg com o mais novo amigo Iggy Pop, concentrou-se na música minimalista e ambiental em seus três próximos álbuns, co-produzidos com Tony Visconti, que vieram a ser conhecidos como sua Trilogia de Berlim. Nessa época, Pop lançou seu primeiro álbum solo sem os Stooges, chamado The Idiot, e, mais tarde, Lust for Life, ambos de 1977, com contribuições de Bowie em melodias e letras, realizando turnês pela Europa, Reino Unido, e nos EUA em março e abril de 1977. O disco Low (1977), parcialmente influenciado pelo som krautrock do Kraftwerk e do Neu!, evidenciou um afastamento de composições e narrações para um estilo mais abstrato, em que as letras eram esporádicas e opcionais. Na época do lançamento, ele recebeu críticas negativas por isso — e a própria gravadora, a RCA, preocupada em manter sua dinâmica comercial, não aprovou o álbum, e o ex-empresário de Bowie, Tony DeFries, embora ainda mantivesse um significante interesse financeiro nos assuntos do cantor, tentou se prevenir desse fracasso. Apesar desses pressentimentos preliminares, a canção "Sound and Vision" atingiu a terceira posição no UK chart; o sucesso levou Philip Glass, compositor contemporâneo, descrever o disco como "uma obra de gênio" em 1992, quando se baseou nele para sua Symphony No. 1 (posteriormente, Glass também usaria o próximo álbum de Bowie como base para sua Symphony No. 4 "Heroes". Não demorou para que notassem o talento de Bowie em criar músicas complexas que pareciam simples.
O segundo disco da trilogia, "Heroes" (1977), refletiu a abordagem instrumental e minimalista de Low e também incorporou elementos do pop e do rock, além de receber contribuição do guitarrista Robert Fripp. Assim como o álbum anterior, "Heroes" evidenciou o espírito da época da Guerra Fria, simbolizada por uma Alemanha dividida pelo Muro de Berlim. Neste novo trabalho Bowie incorporou sons ambientes de uma variedade de fontes, incluindo geradores de ruídos, sintetizadores e o koto, instrumento japonês, e logrou sucesso, pois ele atingiu a terceira posição no Reino Unido. Sua faixa-título — baseada no amor incondicional de dois amantes dos lados opostos do Muro de Berlim que Bowie via se unirem diariamente — embora tenha alcançado somente a 24ª posição nas paradas britânicas, ganhou popularidade tardia duradoura, e em poucos meses tinha sido lançada em alemão e em francês. No final daquele ano, Bowie a cantou no programa de televisão Marc, apresentado pelo colega Marc Bolan, e dois dias depois para o especial de Natal de Bing Crosby, quando juntou-se a ele em "Peace on Earth/Little Drummer Boy", versão de "The Little Drummer Boy" com um novo e contrapontual verso. Cinco anos depois, o dueto gozaria de fama mundial ao alcançar a terceira posição nas paradas britânicas no Natal de 1982.
Terminando Low e "Heroes", Bowie ocupou grande parte de 1978 a trabalhar na Isolar II, levando canções dos dois primeiros álbuns da Trilogia para quase um milhão de pessoas, durante 70 apresentações ao vivo em 12 países. Naquele momento o artista havia parado com seu vício em drogas; como escreve David Buckley, a Isolar II foi "sua primeira turnê durante cinco anos em que ele não se anestesiou com grandes quantidades de cocaína antes de subir no palco. [...] Sem o esquecimento que as drogas lhe traziam, estava com uma condição mental o suficientemente saudável para fazer novos amigos."A turnê recebeu filmagens que foram lançadas no mesmo ano em Stage, seu segundo álbum ao vivo.


Lodger (1979) — tríptico final daquilo que Bowie chamaria de Trilogia de Berlim — absteve-se da natureza ambiental e minimalista dos outros dois e traz uma levada que nos remete às baterias e às guitarras do rock e do pop que prefiguraram sua carreira anterior à estadia em Berlim. O resultado foi uma mistura complexa de New Wave e World Music. Algumas das faixas, como "Boys Keep Swinging", "Move On" e "Red Money", foram compostas utilizando as cartas das Estratégias oblíquas de Eno. O álbum havia sido gravado na Suíça. Antes de seu lançamento, Mel Ilberman da RCA declarou: "Não seria justo chamar o disco de o Sergeant Pepper de Bowie [...] um álbum conceitual que retrata o Inquilino (Lodger) como um andarilho sem teto, evitado e vitimado pelas pressões da vida e da tecnologia." Como descreve o biógrafo Christopher Sandford, "A gravação coincidiu com várias esperanças frustradas, e com a produção, que significava o fim da parceria de 15 com Eno." Lodger chegou à quarta posição nas paradas britânicas e na vigésima nos EUA, rendendo os singles "Boys Keep Swinging" e "DJ". Em finais de 79, Bowie e Angela iniciaram o processo de divórcio, e, após meses de disputas judiciais, seu casamento terminou em inícios de 1980.

1980–1989: De superstar a megastar
Em 1980, foi lançado o álbum Scary Monsters (and Super Creeps), trazendo a canção "Ashes to Ashes", que alcançou o primeiro lugar nas paradas. A canção revisitava o personagem Major Tom de "Space Oddity". O videoclipe da canção foi um dos mais caros — e também um dos mais inovadores — de todos os tempos. Embora esse disco utilizasse princípios estabelecidos pela trilogia de Berlim, foi considerado pelos críticos como muito mais direto musical e liricamente. Ele teve contribuições de guitarristas como Fripp, Pete Townshend, Chuck Hammer e Tom Verlaine. Com "Ashes to Ashes" atingindo o topo das paradas britânicas, Bowie abriu uma apresentação de três meses no Teatro Broadway em 24 de setembro, estrelando na peça O Homem Elefante.
Em 1981, Bowie encontrou-se com a banda Queen e ambos realizaram um single, "Under Pressure", retratando a pressão social. O dueto foi um sucesso e tornou-se o terceiro single de sua carreira a atingir a primeira posição nas paradas britânicas. "Under Pressure surgiu por acaso, David veio até nós para estudar [...] começou a mexer com algo e tudo correu muito espontaneamente e rapidamente. [...] Foi um verdadeiro prazer trabalhar com [ele], tem um tremendo talento". (Freddie Mercury).
Ainda no mesmo ano, ele fez uma aparição no filme alemão Christiane F., uma história baseada em fatos reais sobre uma adolescente viciada em drogas na Berlim da década de 1970. A trilha sonora, constituída principalmente por canções já escritas anteriormente por Bowie, foi lançada como Christiane F. meses depois. Bowie interpretou o papel principal de uma adaptação televisiva de 1981 da peça Baal de Bertolt Brecht. Coincidindo com essa transmissão, foi lançado um extended play com cinco faixas da peça, todas gravadas em Berlim. Em março de 1982, um mês antes do filme Cat People de Paul Schrader ser lançado, a canção de Bowie homônima, "Cat People", foi realizada como single, logrando um curto sucesso nos EUA e entrando no UK top 30.
Bowie atingiu novo pico de popularidade e sucesso comercial em 1983 com o disco Let's Dance, que também o fez cativar uma nova audiência. Co-produzido por Nile Rodgers da banda Chic, o álbum ganhou disco de platina no Reino Unido e nos EUA. Seus três singles principais tornaram-se um dos vinte maiores sucessos de ambos os países, e sua faixa-título alcançou a primeira posição. "Modern Love" e "China Girl" alcançaram a segunda posição no Reino Unido, e geraram dois aclamados vídeos promocionais que, como escreve o biógrafo David Buckley, "foram totalmente absorventes e ativaram arquétipos fundamentais no mundo pop. O vídeo clipe para 'Let's Dance', com sua narrativa em torno do jovem casal de aborígenes, tinha como público alvo a 'juventude', e 'China Girl', com sua cena (que depois foi parcialmente censurada) de um namoro nu na praia (homenagem ao filme A Um passo da Eternidade), foi sexualmente provocante o bastante para que garantisse sua alta frequência na MTV. Em 1983, Bowie surgia como um dos artistas de vídeo-clipes mais importantes da época." Let's Dance seguiu-se com uma turnê mundial chamada Serious Moonlight Tour, durante o qual Bowie recebia contribuições de Earl Slick na guitarra e Frank e George Simms no backing vocal. A viagem musical durou seis meses e foi extremamente popular.


Tonight (1984), outro álbum dançante, trouxe Tina Turner cantando com Bowie na faixa-título, que foi escrita com o amigo Iggy Pop. O disco também trazia covers, como o sucesso de 1966 "God Only Knows" dos Beach Boys, e a canção "Blue Jean", baseada no curta-metragem Jazzin' for Blue Jean, garantiu a Bowie o Grammy Award for Best Short Form Music Video. Em 1985, ele se apresentou no Estádio de Wembley para o Live Aid — uma série de concertos com músicos famosos e aclamados da época na tentativa de arrecadar fundos contra a fome na Etiópia. Durante o evento, Bowie gravou um videoclipe com um de seus ídolos, Mick Jagger, em que cantam e dançam juntos a canção "Dancing in the Street", sucesso de 1964 na voz de Martha and the Vandellas, e que deu ao dueto a primeira posição nas paradas. No mesmo ano, Bowie juntou-se ao Pat Metheny Group na gravação de "This Is Not America" para a trilha sonora do filme The Falcon and the Snowman. Realizada como single, a canção tornou-se um dos 40 sucessos das paradas britânicas e americanas.
Em 1986, deram um papel à Bowie no filme Absolute Beginners, que foi mal recebido pelos críticos, mas que sustentou-se pela canção-tema, escrita por David Bowie, também chamada "Absolute Beginners" e que atingiu o segundo lugar nas paradas britânicas. No mesmo ano, o filme Labirinto estreia e Bowie, que compôs e cantou cinco canções para o filme, também atuou como a personagem Jareth, o que lhe garantiu extrema popularidade. Seu último disco solo da década foi Never Let Me Down de 1987, em que ele abandona a levada de seus dois álbuns anteriores, e oferece um rock pesado com uma mistura de techno e industrial. Embora tenha sido um relativo fracasso, atingiu a sexta posição nas paradas britânicas e rendeu as canções "Day-In Day-Out", "Time Will Crawl" e "Never Let Me Down". Tempos depois Bowie o descreveria como seu "nadir" e o chamaria de um "álbum ruim". A série de 86 concertos chamada de Glass Spider Tour surgiu nessa época, em 20 de maio, com o intuito de apoiar o disco. Na guitarra principal, a banda contava com Peter Frampton. Os críticos difamaram a turnê, dizendo que, se comparada às tendências contemporâneas da música de arena e estádio, seus efeitos especiais e suas danças a tornavam demasiadamente cansativa.

1989–1991: Tin Machine
David Bowie esqueceu-se de sua carreira solo em 1989, recuando pela primeira vez ao relativo anonimato de membros de banda desde o início dos anos 70. Tin Machine especializou-se como quarteto de hard rock e surgiu depois de Bowie trabalhar experimentalmente com o guitarrista Reeves Gabrels. Completavam a formação Tony Sales e Hunt Sales, irmãos que Bowie conhecia desde a década de 70 por trabalharem na bateria e no baixo, respectivamente, em Lust for Life (1977) de Iggy Pop, disco produzido por Bowie.
Embora pretendesse que o Tin Machine funcionasse democraticamente, Bowie dominou a banda, tanto nas composições como na tomada de decisões importantes. O disco de estreia, Tin Machine (1989), teve inicial popularidade, apesar de suas letras politizadas não terem logrado aprovação universal: Bowie descreveu uma de suas canções como "simplista, ingênua e radical, desistindo de falar sobre o aparecimento de neo-nazistas"; na visão do biógrafo Christopher Sandford, o disco "teve coragem de denunciar drogas, fascismo e televisão [...] em termos de ter atingido o nível literário de uma história em quadrinhos."A EMI reclamou das "letras pregativas", da falta de produção e da abundância de minimalidade.[88] De qualquer forma, o disco alcançou a terceira posição no Reino Unido. A primeira turnê mundial do Tin Machine foi um sucesso comercial, embora fãs e críticos relutassem bastante em aceitar as apresentações de Bowie como mero membro da banda. Uma série de canções e singles fracassaram e, após um desentendimento com a EMI, Bowie decidiu finalmente largar a gravadora. Assim como o público e a imprensa, cada vez mais ele tornou-se descontente com seu papel de simples membro de uma banda. O Tin Machine começou a trabalhar num segundo álbum, porém concordaram em esperar mais um tempo e, nessa espera, Bowie deu um rápido retorno à carreira solo. Na Sound+Vision Tour, tocando seus primeiros e maiores sucessos, anteriores ao disco Tonight, durante sete meses, logrou novo sucesso comercial e novamente a aclamação crítica. Essa turnê contou com suas primeiras apresentações na América do Sul — Rio de Janeiro (Sambódromo), São Paulo (Estádio Palestra Itália, Teatro Olympia), Santiago (Estádio Nacional de Chile) e Buenos Aires (Estádio Monumental de Núñez) — de 20 a 29 de setembro, com milhões de audiências e transmissões da Rede Globo.


Em outubro de 1990 — dez anos depois de seu divórcio com Angela — Bowie conheceu a modelo somali Iman Abdulmajid, através de um amigo em comum. Bowie recordou: "Eu estava a dar o nome de nossos futuros filhos na noite em que nos conhecemos... foi uma coisa absolutamente imediata." Eles se casaram em 1992. Enquanto isso, ainda em 1991, o Tin Machine voltou a trabalhar após a turnê solo de Bowie bem-sucedida, porém, o público e a crítica, que já estavam desapontados com o primeiro álbum do grupo, não mostrou muito interesse por um segundo. O lançamento de Tin Machine II ficou marcado por uma ampla divulgação e um conflito inoportuno por causa de sua capa: após a produção ter começado, a nova gravadora, Victory, considerou retratar os quatro membros da banda nus em formato de estátuas kouros, o que seria para ser, segundo Bowie, "num gosto requintado", tornou-se para a mídia uma espécie de "imagens obscenas" a precisar de aerografia e remendos a fim de tornar as figuras assexuadas. Tin Machine excursionou novamente, porém, após o álbum ao vivo Tin Machine Live: Oy Vey, Baby, fracassou comercialmente, e a banda se separou; Bowie, embora continuasse a colaborar e a trabalhar com Gabrels, retomou sua carreira solo.

1992–1999: Bowie eletrônico
Em abril de 1992, Bowie participou do Concerto em Tributo a Freddie Mercury, após a morte do vocalista do Queen no ano anterior. Cantou "Heroes" e "All the Young Dudes"; não poderia deixar de cantar "Under Pressure", em que foi acompanhado por Annie Lennox, que cantou a parte de Freddie Mercury na canção. Quatro anos depois, Bowie e Iman estavam casados na Suíça. Com a intenção de se mudarem para Los Angeles, o casal voou até os EUA para procurar um imóvel adequado, mas tiveram que se confinar no seu hotel, sob toque de recolher: os Distúrbios de Los Angeles em 1992 começaram bem no dia em que eles embarcaram. Por fim, se estabeleceram em Nova Iorque.
Em 1993, o lançamento de Black Tie White Noise trouxe um Bowie influenciado em hip-hop, jazz e soul. O álbum, que novamente o reuniu com o produtor de Let's Dance, Nile Rodgers, fazia uso proeminente de instrumentos eletrônicos e confirmou seu retorno à popularidade, chegando ao primeiro lugar nas paradas britânicas e fazendo sucesso com a canção "Jump They Say". Este álbum também contou com a participação de seu antigo colega da era-Ziggy Stardust, Mick Ronson, que morreu de câncer no final do ano. Bowie explorou novas direções em The Buddha of Suburbia, trilha sonora composta para uma série televisiva livremente adaptada no livro The Buddha of Suburbia (1900) de Hanif Kureishi. O disco trazia alguns dos novos elementos introduzidos no Black Tie White Noise, e também sinalizava uma mudança para o rock alternativo. O disco foi criticamente bem-recebido, embora não lograsse muito sucesso comercial, atingindo a 87ª posição nas paradas do Reino Unido.
Outside (1995) reuniu Bowie novamente com Brian Eno, e foi concebido como o primeiro volume de uma narrativa não-linear sobre arte e assassinato. Apresentando personagens de um conto escrito pelo artista, o álbum conseguiu sucesso nas paradas britânicas e americanas. Bowie escolheu a banda Nine Inch Nails como sua parceria para a Outside Tour, e recebeu, por isso, recepções mistas. Visitaram cidades da Europa e da América do Norte entre setembro de 1995 e fevereiro de 1996 e tal turnê marcou o regresso de Gabrels como guitarrista principal de Bowie.
Em 17 de janeiro de 1996, David Bowie entrou para o Rock and Roll Hall of Fame. Incorporando elementos do jungle britânico e do drum and bass, Earthling (1997) foi sucesso crítico e comercial. A canção "I'm Afraid of Americans", escrita com Eno para o filme Showgirls de Paul Verhoeven, foi regravada no álbum, remixada para ser lançada como single. Esse trabalho ficou por conta de Trent Reznor, famoso multi-instrumentista de sua banda solo, o Nine Inch Nails, que além de produzir, fez backing vocals na canção. A alta frequência do vídeo clipe na televisão, do qual Reznor também participava, fez com que ela ficasse 16 semanas na Billboard Hot 100 americana. A Earthling Tour esteve na Europa e na América do Norte entre junho e novembro de 1997. Em 1998, reuniu-se novamente com Visconti para gravar "(Safe in This) Sky Life" para o The Rugrats Movie. Embora a faixa tenha sido cortada na edição final, mais tarde ela foi regravada e realizada como "Safe" no lado B do single de 2002 "Everyone Says 'Hi'". A reunião com Visconti também levou a uma versão da faixa "Without You I'm Nothing" do Placebo, com vocais de Bowie adicionados na gravação original. Em 1998, Bowie gravou "A Foggy Day (In London Town)" com Angelo Badalamenti, tributo a George Gershwin, no intuito de arrecadar dinheiro para várias instituições de caridade dedicadas na conscientização e no combate à Aids.


1999–2015: Bowie neoclássico
Bowie compôs a trilha sonora de Omikron em 1999, um jogo de computador em que ele e a esposa Iman também aparecem como personagens. O álbum 'hours...', lançado neste mesmo ano, e contendo algumas faixas regravadas do jogo, trazia uma canção, "What's Really Happening?" (musicada com Reeves Gabrels), com letra escrita pelo vencedor do concurso via internet "Cyber Song Contest", disponível no site oficial de Bowie; o vencedor foi o fã Alex Grant. Utilizando instrumentos tradicionais e um som pesado, o disco marcou o fim dos experimentos de Bowie com a música eletrônica. Em 2000, ele iniciou um álbum que chamaria-se Toy, com novas versões de algumas de suas primeiras canções e mais três novas músicas, mas o projeto nunca foi lançado. Em vez disso, Visconti continuou trabalhando em estúdio com Bowie e, um ano depois, o resultado das gravações foi um álbum inteiramente de canções originais: Heathen, de 2002. Sua filha com Iman, Alexandria Zahra Jones, nasceu em 15 de agosto.
Em outubro de 2001, Bowie abriu o Concerto para a Cidade de Nova Iorque, evento de caridade em benefício às vitimas dos Ataques de 11 de setembro, com uma versão minimalista e misteriosa da canção "America" dos Simon and Garfunkel, que seguiu-se com "Heroes", tocada com uma banda. Em 2002, Heathen foi lançado e, durante o segundo semestre do ano, ele realizou a turnê Heathen Tour. A turnê visitou cidades europeias e da América do Norte; sua abertura ocorreu no Meltdown, festival anual de Londres, e, por isso, naquele mesmo ano, Bowie foi apontado diretor artístico do evento. Entre os artistas que selecionou para o festival estavam Philip Glass, Television e The Polyphonic Spree. Além de canções do novo álbum, a turnê também trazia materiais de Low. Em 2003, lançou Reality, disco com humor e melancolia, que reflete sobre toda sua carreira e que, na na faixa-título, proclame e ordena: "Acertei, errei/estou de volta ao começo/procurei um sentido e não cheguei a nada/Hey garoto, bem-vindo à realidade". A Reality Tour o fez viajar pela Europa, EUA, Canadá, Nova Zelândia, Austrália e Japão, com uma audiência estimada em 722.000 mil, arrecadando uma quantia superior a qualquer outra turnê de 2004. Apresentando-se em Oslo, Noruega, em 18 de junho, foi atingido no olho por um pirulito atirado por um fã e, uma semana depois, enquanto se apresentava no palco do Hurricane Festival em Scheeßel, Alemanha, sentiu fortes dores no peito, e a apresentação foi interrompida. Foi diagnosticada uma séria obstrução numa artéria e ele passou por uma angioplastia de emergência em Hamburgo. As 14 apresentações restantes da turnê foram canceladas. Até agora, Reality foi seu último disco de inéditas até o lançamento de The Next Day em 8 de março de 2013, e a turnê foi a última em que ele se apresentou.


Recuperado da cirurgia cardíaca, diminuiu sua produção musical pela primeira vez em vários anos. Apareceu só de vez em quando nos palcos e nos estúdios. Em 2004, cantou "Changes" num dueto com Butterfly Boucher para a animação cinematográfica Shrek 2. Durante o ano de 2005, que seguiu-se calmo em sua agenda, gravou vocais em "(She Can) Do That", co-escrita com Brian Transeau, para o filme Stealth. Retornou aos palcos em 8 de setembro, junto ao Arcade Fire, num evento televisionado nos EUA chamado Fashion Rocks, e tocou com a banda canadense pela segunda vez uma semana depois, durante o CMJ Music Marathon. Contribuiu com vocais na canção "Province" dos TV on the Radio no álbum Return to Cookie Mountain, gravou um comercial da XM Satellite Radio com Snoop Dogg, e participou, com o colega de longa data Lou Reed, do álbum No Balance Palace (2005) da Kashmir.
Bowie foi premiado com o Grammy Lifetime Achievement Award em 8 de fevereiro de 2006, que só é concedido a "músicos que, durante suas vidas, deram contribuições criativas de importância artística excepcional no campo da gravação."Em abril, anunciou: "Estou dando um tempo a turnês e discos."Em 29 de maio, contudo, fez uma aparição surpresa no concerto de David Gilmour no Royal Albert Hall de Londres. O evento foi filmado e, logo em seguida, foi lançada uma seleção das canções em que ele participou. Sua última apresentação nos palcos se deu em novembro do mesmo ano, quando cantou ao lado de Alicia Keys no Black Hall — evento beneficente de Nova Iorque para a organização Keep a Child Alive.
Em 2007, Bowie foi escolhido para a curadoria do High Line Festival, selecionando músicas e artistas do evento de Manhattan, e participou do álbum de 2008 Anywhere I Lay My Head, de Scarlett Johansson, só de regravações de Tom Waits. Para os 40 anos de aniversário do primeiro pouso na Lua — e também o também para o aniversário de seu primeiro sucesso, "Space Oddity" — a EMI lançou faixas individuais da gravação original da canção em 2009, num concurso que convidava os fãs a criaram um remix. A Reality Tour, álbum duplo com cenas ao vivo de sua turnê de 2003, foi lançado em janeiro de 2010.


Em 8 de Janeiro de 2013, foi confirmado pela página do artista um lançamento de, The Next Day, e seu lançamento ocorreu em 8 de março de 2013. O primeiro Single, "Where Are We Now" foi disponibilizado à venda para download no mesmo dia. Em 2015 foi anunciado que lançaria Blackstar influenciado pelo krautrock, assim como seu material passado. O The Times ainda colocou que o álbum será provavelmente o trabalho mais bizarro produzido por Bowie.
Em 8 de janeiro de 2016 lançou o álbum Blackstar, cujo nome no álbum é apenas uma estrela negra (estilizado como ★), seu vigésimo sétimo álbum de estúdio, considerado pela crítica como uma obra-prima.


2016: Morte
David Bowie faleceu aos 69 anos na noite de 10 de janeiro de 2016, depois de lutar contra um câncer no fígado durante dezoito meses.


Carreira como ator
O biógrafo David Buckley escreve: "A essência da contribuição de Bowie à música popular se deve por sua notável capacidade de analisar e selecionar as ideias que estão de fora do mainstream — da arte, literatura, teatro e cinema — e trazê-los para dentro, de modo que o pop é constantemente alterado."?Buckley ainda escreve: "Só uma pessoa levou o glam rock a novas alturas rarefeitas e inventou personagens no pop, casando teatro e música popular num todo poderoso."A carreira de Bowie tem sido marcada por vários papéis em produções de cinema e teatro, o que valeu prestígio e independência como ator e alguns elogios por suas atuações.
Sua carreira como ator começa antes de seu avanço comercial como músico. Estudante teatro de avant-garde e mímica com Lindsay Kemp, interpretou o papel de Cloud na produção teatral de 1967 de Kemp chamada Pierrot in Turquoise (posteriormente transformada no filme televisivo de 1970 The Looking Glass Murders). No filme The Image em branco e preto (1969), interpretou um menino fantasma que surge da pintura de um artista envolvido em problemas, para assombrar seu criador. No mesmo, fez uma breve aparição na adaptação do romance The Virgin Soldiers (1966) de Leslie Thomas. Em 1976, ganhou elogios por seu primeiro papel principal num grande filme, retratando Thomas Jerome Newton, um alienígena de um planeta moribundo, em The Man Who Fell to Earth, dirigido por Nic Roeg. Também interpretou o papel principal em Just a Gigolo de 1979, co-produção anglo-alemã dirigida por David Hemmings, em que é Paul von Pryzgodski, um oficial prussiano a retornar da Primeira Guerra Mundial, que é descoberto por uma Baronesa (Marlene Dietrich) que o convida a seu estábulo de gigolô.


Entre 1980 e 1981, fez o papel principal de O Homem Elefante, produção tetral da Broadway em que recebeu elogios por uma atuação expressiva. Em Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, filme biográfico de 1981 focando a dependência por drogas de uma jovem na Berlim ocidental, Bowie fez uma aparição como ele mesmo em um concerto na Alemanha. A trilha sonora do filme, Christiane F., traz algumas das canções dos álbuns da Trilogia de Berlim. Em 1983, estreou The Hunger/Fome de Viver, filme de vampiros revisionista, com Catherine Deneuve e Susan Sarandon. Em Merry Christmas, Mr. Lawrence, do mesmo ano, dirigido por Nagisa Oshima e baseado no romance The Seed and the Sower de Laurens van der Post, Bowie representou o Major Jack Celliers, prisioneiro de guerra num campo de internamento japonês. Ryuichi Sakamoto, que também era músico, atuou como o comandante do campo que começa a se prejudicar pelos comportamentos bizarros de Celliers. Participou de uma cena do Yellowbeard de 1983, comédia sobre piratas criada pelo Monty Python, e em 1985 representou Colin, assassino de aluguel no filme Into the Night. Recusou retratar o vilão Max Zorin no filme 007 Na Mira Dos Assassinos/007 - Alvo Em Movimento do mesmo ano.
Absolute Beginners (1986), musical de rock baseado no romance de Colin MacInnes de 1959 sobre a vida londrina, trazia música de Bowie mas lhe presenteou um papel de qualidade inferior. No mesmo ano, interpretou o andrógino Jareth, rei dos goblins, no filme Labirinto - A Magia do Tempo de Jim Henson. Dois anos depois interpretou Pôncio Pilatos no filme A Última Tentação de Cristo de Martin Scorsese, em 1988. Em 1991, no The Linguini Incident, atuou como um descontente empregado de um restaurante que é o antagonista de Rosanna Arquette. No ano seguinte, foi o misterioso agente do FBI Phillip Jeffries em Twin Peaks - Os últimos dias de Laura Palmer (1992) de David Lynch. Retratou Andy Warhol, figura do qual havia conhecido na década de 70, no filme Basquiat, filme da biografia de Jean-Michel Basquiat, dirigido por Julian Schnabel. Co-estrelou no filme Il Mio West de Giovanni Veronesi em 1998 (lançado como Gunslinger's Revenge em 2005) como o pistoleiro mais temido da região. Em 1999, interpretou o velho gangster Bernie em Everybody Loves Sunshine de Andrew Goth e fez uma breve aparição na série de horror televisiva The Hunger. Em Mr. Rice's Secret (2000), retratou o papel principal como vizinho de um doente terminal de doze anos de idade e, no ano seguinte, apareceu como si mesmo em Zoolander junto a outras personalidades famosas.
Em 2006, retratou Nikola Tesla, físico pioneiro na corrente alternada, no filme O Grande Truque/O Terceiro Passo co-estrelado por Christian Bale e Hugh Jackman, dirigido por Christopher Nolan e baseado no romance epistolar de Christopher Priest sobre a rivalidade entre dois mágicos no início do século XX. No mesmo ano, emprestou sua voz ao poderoso vilão Maltazard na animação Arthur e os Minimoys e também para o personagem Lord Royal Highness do desenho animado Bob Esponja: Calça Quadrada. No filme de 2008 August, dirigido por Austin Chick, Bowie atuou como coadjuvante no papel de Ogilvie, ao lado de Josh Hartnett e Rip Torn, no qual ele já havia trabalhado anteriormente em 1976 em The Man Who Fell to Earth.



Legado
A influência de David Bowie é imensa, musical e socialmente. Suas canções e as apresentações inovadoras trouxeram uma nova dimensão para a música popular do começo da década de 70, influenciando fortemente tanto suas formas imediatas como seu desenvolvimento posterior. Pioneiro do glam rock, de acordo com vários críticos Bowie criou o gênero ao lado de Marc Bolan. O biógrafo David Buckley considera que, nessa época, ele surgiu como a última estrela pop de todos os tempos e que nenhuma outra veio a existir após dele; sua produção musical durante a década criou um dos maiores cultos da cultura pop. De acordo com diversos autores, por exemplo, ao incorporar personas andróginas como Ziggy Stardust e Aladdin Sane na era do glam rock nos anos 70, Bowie recriou uma classe adolescente independente na época e também auxiliou movimentos como a libertação gay. Nessa era, sua postura ajudou a criar novas modas e jeitos de se vestir nas cenas de rock e música, apresentando roupas que ainda interessam as pessoas de hoje em dia.
Musicalmente, Bowie também tem sido muito influente. The Man Who Sold the World (1970), por exemplo, influenciou elementos do goth rock, darkwave e da ficção científica de bandas como Siouxsie and the Banshees, The Cure, Gary Numan, John Foxx e Nine Inch Nails. Kurt Cobain do Nirvana colocou essa álbum em 45º lugar na sua lista de 50 discos favoritos. Em 1993, o grupo grunge regravou sua faixa-título em seu MTV Unplugged in New York. Após a era do glam rock, Bowie lançou álbuns como Diamond Dogs (1974), cujo som pesado e temática de caos urbano antecipava a revolução punk de bandas como The Germs e Sex Pistols que tomariam espaço nos anos finais da década de 70. Ao mesmo tempo, por inspirar os primeiros artistas do movimento, Bowie tornou-se "uma das influências mais seminais do punk", nas palavras do biógrafo Michael Campbell. David Buckley escreve: "Numa época em que o punk rock reclamava de uma canção de três minutos num concerto de desafio público, Bowie quase que completamente já havia abandonado a instrumentação tradicional do rock."Mesmo após essa revolução sua obra inspirou outros. Em 1976, o valorizado Station to Station exerceu enorme influência no pós-punk, principalmente na Magazine. No ano seguinte, "Heroes" (1977) da 'Trilogia de Berlim' serviu de base para John Lennon e Yoko Ono produzirem seu último álbum juntos, Double Fantasy (1980).


Sua carreira na década seguinte, especialmente a canção "Ashes to Ashes" e seu vídeo clipe, providenciou as bases para um novo movimento musical da época, chamado New Romantic, influenciando artistas como Blitz Kids, Keanan Duffty, e Steve Strange. De fato, diversos críticos têm escrito que tal canção era considerada o hino dos músicos do New Romantic. Em 1986, Joey Santiago introduzia a música de Bowie e bandas de punk rock a Black Francis, e assim nascia o Pixies.
A influência de David Bowie continua nos dias de hoje, mesmo em artistas de diversos gêneros e países. Podemos citar Mark Ronson, Brandon Flowers (do The Killers), Paul Weller, Marilyn Manson (Bowie é a maior influência deles), Boy George, Groove Armada, Spacehog, Neïmo, Arckid, Stacey Q, Buck-Tick, Lady Gaga, e muitos outros. Em 2010, Bono Vox do U2 declarou: "O que Elvis foi para os Estados Unidos, Bowie foi para a Inglaterra e Irlanda. Uma completa mudança de consciência".
Thomas Forget certa vez escreveu: "Por ter se sucedido em vários estilos musicais diferentes, é quase impossível encontrar um artista popular hoje em dia que não tenha sido influenciado por David Bowie."Além disso, certos críticos também escrevem que David Bowie legou determinada sofisticação à música rock e sua obra tem sido constantemente considerada como de profunda qualidade intelectual.

David Bowie e as intermitências da Morte
por Matheus Pichonelli - publicado 14/01/2016 16h46
Nas palavras de Zé Celso, Bowie criou um poema da sua própria morte – e, grifo meu, nesse poema decidiu habitar

Volto a escrever neste espaço três dias após a morte de David Bowie. Ao saber da notícia, prometi que não escreveria a respeito do “camaleão do rock”, justamente para não correr o risco de esbarrar nesta e em outras definições inevitáveis pipocadas nas telas e nas redes desde a manhã de segunda-feira 11. Ademais, havia gente muito mais entendida e habilitada em sua obra para falar de sua vida.
Pois não é sobre ele, nem sobre sua vida nem sua obra, que decidi escrever minha primeira crônica do ano. É sobre a morte. Não da morte dele em si, mas da forma como falamos dela.
Das mensagens postadas à exaustão nos dois últimos dias, dois aspectos fundamentais me chamaram a atenção.
Primeiro, a sensação de desamparo manifestada pela perda de um ícone. Em um mundo carente de referências, a figura de Bowie, tantas vezes reinventada, era a resistência ao rame-rame de nossas vidas ordinárias, cinzas, empacotadas.
Na sexta-feira, quando lançou Blackstar, aquele que, dois dias depois, soubemos ser seu último álbum, um dos comentários que mais li/ouvi foi que Bowie soube envelhecer com o tempo. E se reinventar.
Reinventar-se, no caso, era colocado como sinônimo de permanência, um meio-termo entre o encerramento de uma fase anterior e a projeção de uma onipresença possível. Um contraponto a isso seria nossa personalidade maior, Roberto Carlos, sempre com o mesmo corte de cabelo, o mesmo terno, as mesmas cores, a mesma entonação, a mesma disposição em deslizar pelo tempo sem precisar mudar em nada.
Bowie tanto falou de Marte e outros espaços que parecia não temer as tormentas de um recurso humano finito: a vida na Terra.
Outro aspecto das mensagens, postadas em redes ou em veículos de grande circulação, era a evocação do “eu” para falar “dele”. “Eu descobri Bowie em 19(...)”, “Eu mudei para sempre”, “Eu fui impactado(a)”, “Eu sinto como se tivesse perdido um amigo”, “Eu vou ser eternamente grato(a)”, “Eu estou desolado(a)”, “Eu perdi meu maior ídolo”. Paul McCartney chegou a postar algo como “eu ttive a honra de tocar com ele”.
Em meio à profusão de análises e relatos em primeira pessoa, uma chamada de caderno de cultura se destacava: “Bowie conseguiu acabar com MEU desconforto existencial”.
Publicadas aos montes, as pequenas grandes histórias pessoais dos fãs, e fico nesta definição sem qualquer intenção de deboche, são justas, compreensíveis. Tocantes até. Pois os que leem, diria Fernando Pessoa, na dor lida sentem bem.


Bowie, mais do que um ícone da música, era um ícone das possibilidades. E, quando falamos em possibilidades, falamos em comportamento, e seu consequente encorajamento para assumir o que se é sem medo de quebrar paradigmas. O impacto sonoro e visual de uma obra foi, por diversas vezes, o empurrão necessário para o entendimento de nossa própria identidade.
Aqui reside uma possível explicação sobre o desamparo e a gratidão manifestados nas mensagens que ele já não poderia ler (ou pode, esteja lá onde estiver). Mas não deixa de ser simbólica a forma como os vivos resolvem falar da morte. É como se, ao transformar o narrador em objeto, estes se lembrassem de que seguem vivos – ou, mais que isso, referendassem um sentido para a existência sem necessariamente uma quebra de vínculo.
Toda semana vemos nas redes sociais alguém chorar, ou manifestar o pesar, por alguém que se vai, seja esse alguém anônimo, reconhecido ou insuficientemente reconhecido, como ressaltavam os órfãos recentes de Júpiter Maça, a quem boa parte dos colegas não prestara o devido tributo.
No jornalismo, a morte de uma personalidade é o gancho para os vivos se lembrarem de suas performances: Eu o entrevistei, Eu o tirei do ostracismo, Eu acompanhei sua trajetória, Eu vi todos os shows, Eu li todos os seus livros, Eu vivi, enfim.
Com Bowie, porém, algo diferente aconteceu. Num dia, saudávamos sua boa forma num álbum aclamado já em seu nascimento; no outro, lamentávamos a sua morte. Entre um ato e outro, soubemos depois, Bowie flertou com a morte em cada linha de sua derradeira performance.
Era como se, entre tantas facetas encarnadas em sua vida, o Bowie morto, ou a caminho da morte, com uma faixa de múmia cobrindo o rosto e dois botões negros como olhos caídos, fosse apenas mais um personagem.
“Alguma coisa aconteceu no dia em que ele morreu. O espírito subiu um metro e afastou-se”, cantou ele em Blackstar, música homônima de seu último álbum, que tinha uma estrela na capa e não o seu rosto.
Com lupas, fãs e especialistas passaram a cavar todos os sinais deixados por quem já sabia do fim iminente e o que encontraram não foi exatamente um exercício mórbido ou simplesmente sombrio, como pede o figurino oficial, sisudo e ocupado em arrependimento, unções e contrições. Encontraram um artista em estado de transcendência pelo encontro da morte cantada com a morte, por assim dizer, vivida.
Em uma de suas últimas cartas ao seu irmão Theo, Van Gogh, que morreu em um campo de trigo e cipreste tantas vezes retratados por ele como labaredas, escreveu: “Nos meus quadros gostaria de dizer algo que console tanto quanto a música”.
Pois nas músicas, e nos clipes das músicas recém-lançadas, a morte de Bowie surge como um ritual festivo. No clipe de Blackstar, ele chega a brincar com seu próprio medo. Os atores figurantes tremem. O astronauta encontrado por uma mulher de feição humana e cauda de bicho é um esqueleto.
Em Lazarus, uma referência ao personagem bíblico morto e ressuscitado por Cristo, a metalinguagem é um exercício de inversão. Bowie/Lazaro não é chamado de volta ao mundo, mas renascido para fora dele. “Venha até nós, Lazaro. É hora de você partir”.
Tudo leva a crer que, ao saber da própria morte, Bowie decidiu cantar e dançar como quem oferece a ela um abraço - como o seu personagem de Furyo, que mastiga flores diante do carrasco. Ele “lutava contra o câncer”, escrevemos quando noticiamos o diagnóstico – sem nos dar conta de que não somos solidários no câncer quando incorporamos à linguagem médica a essência de uma guerra. Nessa linguagem chula há os vencedores (os vivos) e os derrotados (os mortos).
Em seu ato final, Bowie e sua figura andrógina, quase inclassificável, parecem ter driblado todos os requisitos da predisposição ao luto. Nada parecia mais intrigante do que seu último ensaio de fotografia, na qual ele aparece de terno, gravata, chapéu e...sorrindo!


Esse sorriso fora de hora soa como um ruído do medo impronunciável da morte que evitamos a todo custo. Não havia nele aquela espécie de “vergonha ao morrer” comum aos simples mortais, ocupados por tormentas sobre o tempo mal gasto, reconciliações adiadas, obras por terminar (ou iniciar), missões a cumprir. Dessa mortalidade Bowie parecia livre há muito tempo.
No livro O mal-estar na civilização, Freud descreve as três fontes de sofrimento humano: a prepotência da natureza, a fragilidade do nosso corpo, e a insuficiência das normas que regulam os vínculos humanos na família, no Estado e na sociedade.
Segundo ele, nunca dominaremos completamente a natureza, e nosso organismo, ele mesmo parte da natureza, será sempre uma construção transitória, limitada em adequação e desempenho. Daí a necessidade em controlar os dois primeiros fenômenos e se abrigar em um ideal de comunidade – a civilização, regrada, ordenada e fonte também de outras angústias.
“Os seres humanos atingiram um tal controle das forças da natureza que não lhes é difícil recorrerem a elas para se exterminarem até o último homem. Eles sabem disso; daí, em boa parte, o seu atual desassossego, sua infelicidade, seu medo”, escreveu o pai da psicanálise.
Bowie, que balançou todas as estruturas das convenções sufocantes entre indivíduo e sociedade, deixou, em seu último ato, uma piscadela para um outro caminho possível. Tanto falou de Marte e outros espaços que parecia não temer as tormentas de um recurso humano finito: a vida na Terra. Nas palavras de José Celso Matinez Correa, Bowie criou um poema da sua própria morte – e, grifo meu, nesse poema decidiu habitar

Fonte:
Crônica / Matheus Pichonelli
Carta Capital
http://www.cartacapital.com.br/cultura/david-bowie-e-as-intermitencias-da-morte


DAVID BOWIE : Ziggy Stardust (From The Motion Picture)


DAVID BOWIE : Heroes


DAVID BOWIE : Space Oddity (1970)


DAVID BOWIE : Starman 1972


DAVID BOWIE & MICK JAGGER : Dancing In The Street


DAVID BOWIE : China Girl


DAVID BOWIE : Space Oddity


QUEEN & DAVID BOWIE : Under Pressure


LABYRINTH 1986 : Official Trailer


DAVID BOWIE : Ashes To Ashes (2000)


DAVID BOWIE & LOU REED : White Light, White Heat Live


DAVID BOWIE : Starman Live on TFI Friday 1999


DAVID BOWIE & ROBERT SMITH : Quicksand


THE MAN WHO FELL TO EARTH : Trailer


TINA TURNER & DAVID BOWIE : Tonight (Private Dancer Tour 1985)


DAVID BOWIE & DAVID GILMOUR : Comfortably Numb Live Royal Albert Hall


EU CHRISTIANE F 13 ANOS DROGADA E PROSTITUIDA : Trailler


QUEEN & ANNIE LENNOX & DAVID BOWIE : Under Pressure


DAVID BOWIE, DAVID BYRNE, PATTI SMITH e LOU REED


DAVID BOWIE : Blackstar


A Tribute to David Bowie (1947-2016)


RICK WAKEMAN : Tribute To David Bowie - Life On Mars


DAVID BOWIE : Lazarus




David Bowie foi um dos Grandes Vultos do Rock, seu magnífico trabalho é reconhecido por todos, e influenciou uma enorme quantidade de músicos, tem lugar garantido no Panteão dos Maiores de Toda a História do Rock.
Longa Vida a David Bowie !
Longa Vida ao Rock And Roll !